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domingo, 10 de julho de 2011

Vamos Proteger as Tartarugas Marinhas?

AMEAÇA DE EXTINÇÃO

As espécies ameaçadas de extinção, são aquelas em risco de desaparecer, em um futuro próximo.
Diversas espécies já foram extintas nos últimos milhões de anos, por causas naturais, mas hoje em dia as atitudes dos homens provocam um declínio alarmante das espécies.

Tartarugas ameaçadas
Há 5 espécies no Brasil ameaçadas de extinção (segundo critério da lista brasileira e mundial de espécies ameaçadas):
1. Cabeçuda (Caretta caretta)
2. De Pente (Eretmochelys imbricata)
3. Oliva (Lepidochelys olivacea)
4. De Couro (Dermochelys coriacea)
5. Verde (Chelonia mydas)
Dessas, as 4 primeiras desovam no litoral (por isso são MAIS ameaçadas), já
a tartaruga verde desova principalmente nas ilhas oceânicas (por isso são MENOS ameaçadas), onde a ação predatória do homem é mais controlada.

Poucas tartarugas conseguem chegar a idade de procriar. Mesmo jovens ou adultas precisam passar por diversas barreiras. Elas sofrem várias ameaças, além dos predadores naturais, ainda têm que enfrentar os obstáculos criados pelo homem: aquecimento global, destruição do habitat para desova; poluição dos oceanos; e, principalmente, a pesca incidental, ao longo de todo litoral e em alto mar.


AMEAÇAS NATURAIS

Aves marinhas, caranguejos, polvos e diversos peixes podem predar os filhotes recém nascidos. Mas na idade adulta, os predadores se resumem a tubarões e orcas, durante a desova a fêmea está fora do mar e perde a agilidade e fica muito indefesa e exposta aos ataques de outros predadores como onças-pintadas. 

AMEAÇAS CAUSADAS PELO HOMEM 

Caça e coleta de ovos
O hábito de consumir a carne e os ovos das tartarugas marinhas e fabricar acessórios com o seu casco, era muito comum na década de 80, nas comunidades do litoral. Geralmente, as fêmeas eram capturadas durante a desova.

Pesca incidental
Durante a pesca, seja artesanal ou industrial, são facilmente capturadas por diversos tipos de redes e anzóis, e acabam morrendo afogadas, por não conseguirem subir à superfície para respirar.

A pesca com redes de arrasto (usada nas costas) e com espinhéis (usadas em alto mar) são os principais tipo de pesca que afetam as tartarugas marinhas. Por isso, é importante um programa de educação ambiental para os pescadores. Há o projeto Tamar, que incentiva novos recursos de pesca que para minimizar as capturas e os efeitos da pesca sobre as essas populações.

Sombreamento
O aumento no nascimento de filhotes  machos, pode causar um desequilíbrio nas populações de tartaarugas marinhas e isso acontece devido a baixa temperatura da areia das praias que ocorrem as desovas. Essa baixa temperatura é causada pela sombra de construções e plantações no litoral.

Iluminação artificial
Se a praia não está iluminada adequadamente, as fêmeas evitam a desova. Já os filhotes ficam desorientados: ao invés de seguir para o mar (quando são guiados pela luz do horizonte), caminham para o continente (atraidos pelo luz artificial) e podem ser atropelados, pegos por predadores ou ficarem desidratadaos.

Foram aprovadas leis que impedem a instalação de novos pontos de luz em áreas de desova. Além disso o projeto Tamar faz campanhas para substituição das luminárias convencionais por outras, em determinadas áreas, para que a luz não incida diretamente sobre a praia.

Trânsito de veículos
O transito de veículos em praias de desova, pode aumentar a mortalide dos filhotes, 'ainda dentro do ninho', além da compactação da areia, impedindo que os filhotes saiam do ninho e as marcas de pneus, que dificultam a caminhada dos filhotes, e o risco de atropelamento é constante. Por isso, é proibido o transito de veículos nas praias de desova das tartarugas marinhas no litoral brasileiro.

Poluição
Com certeza é uma das principais ameaças, pois degradam o ambiente marinho como um todo, afetam a alimentação, locomoção e o ciclo de vida. Acontecem pela contaminação das águas por elementos orgânicos e inorgânicos, como petróleo, lixo e esgoto. 

DOENÇAS




Fibropapilomatose
É a presença de tumores (de natureza benigna) na pele que também podem afetar orgãos internos, prejudicando o deslocamento e a alimentação, podendo chegar a morte. É uma doença que afeta qualquer tartarugas, em qualquer 'oceano', mas principalmente as verdes. 
Essa doença apesar de não ser muito conhecida, é associada a um vírus (herpes-vírus) e é mais frequênte em locais mais  poluidos e difíceis em áreas de conservação.

Neste caso, a ação dos humanos não é uma causa direta, mas contribue para a intensificação e proliferação da doença.


PORQUE É PRECISO PROTEGER...
Ao longo de 100 milhões de anos, as tartarugas continuam desempenhando um papel ecológico muito importante, das áreas costeiras ao fundo do oceano. Podem migrar de regiões subpolares até trópicos, têm grande influência no ecossistema oceânico, servem de alimento e consomem organismos marinhos, além de servir de subtrato para outras espécies.


IMPORTÂNCIA BIOLÓGICA DA TARTARUGA

Presa e predador
As tartarugas são presas de diversos animais (raposas, formigas, lagartos, facões, abutres, gaivotas, polvos, peixes, orcas, focas, crocodilos, onças, entre outros) e além disso seus ovos podem nutrir raízes de plantas nas praias de desova. Mas também exercem um importante papel como consumidores. Se alimentam de mais de 200 táxons de vertebrados e invertebrados, além de controlar as populações de esponjas, medusas, algas...

Substrato de plantas e animais
O casco e órgãos internos das tartarugas marinhas, podem servir de 'abrigo' para diferentes espécies de plantas e animais. Assim ajudando na dispersão de vários organismos (como cracas e moluscos).

Transferindo energia
Tranfere energia  e nutrientes das áreas de alimentação (oceano) para área de desova (praia). Apenas 1/3 da energia disposta nos ovos é passada para oos filhotes, o restante é transferida para o solo, vegetação e fauna existente no local.

Reciclagem de nutrientes
Contribuem para a reciclagem de nutrientes, devido a quantidade de detrítos excretados por milhões de tartarugas por todo o mundo, afetando recifes de corais, bancos de algas e fundos de substrto arenoso.
Algumas tartarugas são mais específicas na sua alimentação, permitindo que novas espécies passem a se estabelecer e competir (podendo ter sucesso) com as espécies já existentes, ou estimulando o crescimento de alimento mais novo e nutritivo. 

A tartaruga de couro (a mais ameaçada de extinção) é a principal predadora de águas vivas (conhecidas por nós como mãe d'água), com a diminuição dessa espécie nos oceânos, há um crescimento consciderável de águas vivas, muitas vezes em área onde se alimentam espécies de peixes de grande comercialização. O crescimento da população de águas vivas provoca uma diminuição na população desses peixes, podendo condenar drasticamente sua comercialização.

Todas as formas de vida
Diversas espécies de peixes, crustáceos,  moluscos, esponjas, medusas, dependem das tartarugas, além de formações de mangues, bancos de areia e de algas, de corais e recifes, de ilhotas e formações geológicas. Assim, proteger a tartaruga marinha é proteger a VIDA marinha.

Por tudo isso, é preciso proteger as tartarugas marinhas, elas representam a perpetuação da vida ao longo de mais de 100 milhões de anos. Apesar de tantas ameaças eleas ainda resistem e contribuem para a vida de tantas outras espécies.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Tartarugas Marinhas

As tartarugas em suas diversas formas, se encontram no grupo dos Quelônios (ou testudines). Como falei no post anterior, sabe-se que elas surgiram há cerca de 210 milhões de anos atrás, quando o planeta era constituído por um único continente (Pangea), mas a origem certa desses animais ainda é desconhecida. 

Entre as 13 famílias, 75 gêneros e 260 espécies de quelônios, existem apenas 6 gêneros com 7 espécies de tartarugas marinhas.

Mesmo podendo ficar bastante tempo na água, respiram por pulmões e o seu ciclo reprodutivo tem parte terrestre (desova).

São répteis que possuem um casco, carapaça (parte de cima) + plastrão (parte de baixo), o casco é formado por osso, que são unidos por placas de queratina. Essa estrutura é muito rígida, e funciona como proteção contra os predadores. 

Foram poucas as mudanças significativas na forma dos quelônios com o passar dos milhões de anos. Pode-se destacar a perda dos dentes, a capacidade de retração da cabeça e membros para dentro da carapaça e a adaptação dos membros conforme o tipo de ambiente.

Reino: Animalia (descritas mais de 2 milhões de espécies, distribuidas em 35 filos)
Filo: Chordata (tem cerca de 40.000 espécies)
Classe: Reptilia (serpentes, lagartos, tuataras, crocodilos e tartarugas), possuem respiração pulmonar XD
Ordem: Testudines (todas as tartarugas - marinhas, terrestres e de água doce), divididas em 3 subordens
--sendo dividida em três subordens: Pleurodira (tartarugas com retração lateral do pescoço para dentro do casco); Cryptodira (tartarugas com a retração da cabeça, escondendo o pescoço dentro do casco, acompanhando a linha da coluna vertebral; Amphichelydia (todas as espécies extintas).--
Subordem: Cryptodira (Jabutis, tartarugas de água doce e tartarugas marinhas), tartarugas com retração da cabeça, conseguem esconder a cabeça dentro do casco.
Família: Cheloniidae (6 espécies, tartarugas com placas cobrindo a carapaça) e Dermochelyida (apenas a tartaruga de couro, tem uma pele semelhante a couro cobrindo a carapaça).


O estudo desses seres é difícil, pois elas passam muito tempo submersas, o que mais se sabe é sobre à desova, (quando podem ser monitoradas, todas as noites durante os meses de desova), sua grande capacidade migratória, e seu ciclo de vida de longa duração, assim as tartarugas ainda são um mistério para pesquisadores do mundo inteiro. Mas a cada temporada, são protegidos cerca de quatorze mil ninhos e 650 mil filhotes.
 

Nas áreas de alimentação, o monitoramento é quase todo realizado no mar, muitas vezes junto às atividades pesqueiras. Os pescadores são orientados a salvar as tartarugas que ficam...

Comportamento

Elas possuem uma ótima capacidade de orientação, além da visão, olfato e audição bem desenvolvidos. Passam sua vida nos mares, solitárias, mas quando atingem a maturidade sexual, sabem exatamente a hora e o local para a reprodução. Nessa época, realizam viagem transoceânicas para voltar às praias onde naceram para desovar, mesmo com fortes correntes, elas conseguem percorrer longas distâncias, inclusive cruzam fronteiras de vários paises, por isso precisam ser protegidas num acordo internacional. Durante essa viagem podem migrar centenas de milhares de Km e dormir na surperfície ou no fundo do mar, sob rochas em áreas próximas a costa, os filhotes, flutuam na superfície durante o sono.

Os mecanismos de navegação e orientação desses animais são estudados por vários pesquisadores ao redor do mundo, mais ainda representam um grande mistério. Sabe-se da presença de magnetita (mineral muito sensível À direção do campo magnético usado para fazer imãs) no cérebro das tartarugas marinhas, o que pode ser o motivo dessa capacidade de orientação em mar aberto. Além de serem capazes de detectar o ângulo e a intensidade do campo magnético terrestre. 

Ciclo de Vida

Embora sejam marinhas, as tartarugas tem parte do seu ciclo de vida em ambiente terrestre (praia), quando fazem a desova. Ao sairem dos ovos, as tartaruguinhas se direcionam para o mar, para onde tem uma grande quantidade de algas e matéria orgânica flutuante, onde os filhotes encontram alimento e onde permanecem.

Algumas espécies permanecem no 'mar aberto' por toda vida, outras preferem as regiões costeiras, na fase jovem, se alimentam de organismos que vivem em associação com o substrato, até chegarem a idade de procriar.

As tartarugas marinhas que já estão na idade adulta vivem em áreas que lhe proporcionam uma boa alimentação. A maioria chega a idade adulta por volta dos 20 e 30 anos, com exceção da tartaruga Oliva que atinge a maturidade entre 11 e 16 anos.

A desova varia entre as espécies, mas aqui no Brasil acontecem entre setembro e março, que é o período mais quente do ano. Nas ilhas oceânicas, acontecem desovas somente da espécie verde, entre janeiro e junho.